A “Estrondo” não para de massacrar as comunidades geraiseiras

 

O que segue é um GRITO: Um grito de revolta com a prepotência do “Condomínio Estrondo” contra as comunidades geraiseiras no alto do Rio Preto! Um grito de tremenda preocupação que a situação por lá possa acabar, em qualquer momento, numa tragédia com vidas ceifadas! Um grito de apelo à gerência do “Condomínio Estrondo” que suspenda, imediatamente, as suas invasões nas áreas tradicionais das comunidades “Cachoeira”, “Marinheiro”, “Área de Salú”, “Cacimbinha”, “Gatos” e “Aldeia”!

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Segurança armada para impedir o acesso as áreas das comunidades

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Cerca construída pelo Condomínio Estrondo em área das comunidades

 

 

 

 

 

 

 

 

Sob o pretexto de se precaver contra a investida por grileiros, o “Condomínio Estrondo” – ele mesmo notificado pelo Governo Federal em 1999 como megaempreendimento de grilagem -, vem montando impedimentos de acesso, cercas reforçadas e guaritas com vigias armadas no meio dos territórios tradicionais das comunidades. Por conseguinte, as mesmas vêm perdendo as suas soltas comunitárias, perdem o acesso a diversos cursos d´água e perdem a liberdade de se mover livremente dentro do que é delas.

Na semana passada, a “Estrondo” começou com a abertura de variantes larguíssimos nas áreas de “Cacimbinha” e “Gatos”. As famílias geraiseiras tentaram barrar o avanço das máquinas. Porém, foram repelidas por um grupo grande de vigias armadas e ameaçadas que os tratores de esteira iam passar em cima de qualquer oponente. As famílias recuaram, provisoriamente; desde então, mandam seus recados para que as autoridades intervenham, e para que a sociedade em geral saiba da agressão contra elas. Não vão se conformar com as investidas da “Estrondo” dentro das suas áreas.

Há tempo, a Agência 10envolvimento acompanha essas comunidades. Conhece de perto o que estão passando.  Colabora no intuito de regularizar definitivamente os territórios tradicionais das comunidades invadidas, através de uma iniciativa do Ministério Público Estadual. Mas pelo visto, o “Condomínio Estrondo” não se importa mais com os procedimentos previamente combinados, no sentido que não ocorra nenhuma intervenção da “Estrondo” nos territórios tradicionais enquanto não houver uma definição dos limites entre a “Estrondo” e as comunidades, homologada sob égide do Ministério Público.

Quem ouve meu grito, fique consciente do seguinte: O massacre contra os povos e as comunidades tradicionais no Brasil e no Oeste Baiano não é coisa do passado. No alto do Rio Preto, é realidade hodierna, atual. O responsável chama-se “Condomínio Estrondo”. As vítimas são aproximadamente 80 famílias geraiseiras que vivem há gerações naquela região. A sociedade do Oeste Baiano precisa solidarizar-se com essas famílias, sob pena de ver a cidadania no Oeste Baiano enterrada pelos tratores de um projeto sem lei e sem pudor.

 

Martin Mayr

Diácono Permanente da Diocese de Barreiras

Coordenador Geral da Agência 10envolvimento


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