Semana da Água, 17 – 23 de março de 2014 – Tema: Água e Energia

Celebramos a “Semana da Água”, nas comunidades do Morrão, Penedo e Derocal. Foi um momento especial para dar uma atenção aos Rios Grande e Fêmeas. Fizemos uma visita em dois pequenos afluentes desses rios, localizados na serra que circunda as comunidades de Morrão e Penedo.

Bem preservados, devido a sua localização, apresentando uma vegetação exuberante, provando ser remanescente de “Mata Atlântica”, com a presença de algumas árvores centenárias de Jequitibá. Os riachos foram aproveitados para fazer um sistema de irrigação denominado “rego”, irrigando por gravidade, tornando um verdadeiro “Oasis” por onde passa,sendo mais visível na comunidade do Penedo. É uma preocupação de todos, a presença de focos de incêndio no período seco, o que deixa os moradores em alerta, auxiliando a equipe de brigadistas do município quando necessário.

Estes riachos são afloramentos do “Aqüífero Urucuia”. Segundo relatos do Sr. Vá da Comunidade do Penedo, a água que aflorava na nascente era mais forte do que atualmente.
Os rios Grande e Fêmeas, foram modificados desde o enchimento do lago da PCH Sítio Grande, no dia 27 de setembro de 2010, devido a grande oscilação no nível da água, o que tem removido os barrancos, trazendo material em suspensão, deixando a água suja. O abastecimento de água nas comunidades existe, porém  não conta com o tratamento da água, o que tem provocado o aparecimento de alergia, dor de cabeça, náuseas, mal está em algumas pessoas.

Nas três comunidades: Morrão, Penedo e Derocal, foram refletidas nas celebrações a realidade da água das comunidades e da região. O cuidado com o lixo para evitar ser arrastado para o leito dos rios. Na comunidade do Derocal faz- se necessário uma luta mais incisiva, por que são os mais diretamente afetados pela má qualidade da água.

Na comunidade Derocal houve a missa de São José, celebrada pelo Pároco Pe. Cícero. O mesmo fez uma reflexão acerca do valor da água, do cuidado que devemos ter para com ela.

Na comunidade Ponte de Mateus, inserida na bacia hidrográfica do Rio Corrente, a vegetação ainda está conservada, porém o riacho diminuiu muito a quantidade de água, devido principalmente à melhoria das estradas, à mecanização agrícola dos quintais, visto que estão localizados na vereda, arrastando para dentro do leito do rio muita areia. Segundo relatos de moradores da comunidade depois da abertura do poço artesiano na Fazenda Reunida Pontillo, diminuiu muito a água do riacho.

A celebração contou com a presença dos estudantes e professores da Escola Ovídio Francelino de Souza, proveniente das comunidades de Ponte de Mateus, Cera, Larga, Currais, Vereda Grande, Contagem, Riacho do Fogo, Buritis e Pedras e os moradores da comunidade Ponte de Mateus.

Na comunidade Julião, vivemos um momento especial, reunindo pessoas das comunidades vizinhas Palmeiral, Batalha e Almas. A celebração foi voltada para a luta em defesa da terra e das águas, visto que, estão bem próximos do local de construção da futura PCH Santa Luzia. Inspirados na experiência de resistência dos ameaçados de barragens das Bacias Hidrográficas do Corrente e Carinhanha.

Na comunidade Sítio do Rio Grande, a celebração aconteceu nas margens do Rio Grande. Foi refletida a preocupação com o futuro das águas, a ameaça da construção das PCH a montante da comunidade e o uso desordenado da água para irrigação, o que tem diminuído consideravelmente o nível dás águas no período da seca.

Na comunidade Barreiro, a celebração refletiu sobre a ameaça das PCHs que estão em processo de licenciamento à montante da comunidade. As conversas focaram o cuidado com as águas e com o lixo nos quintais que termina sendo acarreados pelas enxurradas para o leito do rio.

Conclusão: Foi uma semana de reflexão sobre o nosso olhar para água, o agradecer a Deus por esse bem essencial à vida, o admirar a beleza dos rios nas comunidades, a preocupação com o futuro das águas e da permanência das pessoas na terra. A impotência frente ao uso desenfreado da água na grande agricultura. Pois a devastação feita em nome da alta tecnologia e da busca pelo poder econômico, cada vez mais desenfreado, vem atingindo de sobremaneira este recurso natural ao qual todo o ser humano tem direito. Os impactos são terríveis e de horrendas consequências, altera-se a qualidade da água e conseqüentemente a qualidade de vida das pessoas.

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